Segundo um estudo do Conselho Empresarial Brasil China, os investimentos anunciados no período de 2007 a 2012 atingiram cerca de US$ 68 bilhões, a metade dos quais já está em execução.

De início, buscavam assegurar o suprimento de commodities como minério de ferro e petróleo. Em seguida, concentraram-se em empreendimentos em infraestrutura como energia e telecomunicações. Depois, voltaram-se para oportunidades do mercado consumidor brasileiro, como é o caso das montadoras de automóveis. Mais recentemente, expandiram-se ao setor de serviços, particularmente o financeiro, com a presença de três entre os principais bancos chineses, o ICBC, o Banco da China e o Banco da Construção.

O intercâmbio é sustentável e tem condições de continuar a crescer, porque está lastreado na complementaridade entre as duas economias. O Brasil tem uma disponibilidade de recursos naturais, água e terras aráveis, que fazem falta à China. Pode assim oferecer o que a China demanda e continuará a demandar por um bom tempo, ou seja, commodities metálicas e alimentos.

As relações deverão melhorar. Nos próximos anos, a expansão estará centrada na formação de parcerias em dois eixos: agronegócio e infraestrutura. Se quisermos agregar valor aos nossos produtos de exportação, temos de começar pelos setores em que somos mais competitivos, como o agronegócio. Empresas chinesas e brasileiras estão negociando parcerias para o processamento conjunto de commodities agrícolas, assim como para sua comercialização e distribuição na China.

Na infraestrutura, as empresas chinesas desenvolveram tecnologias, buscam mercados e dispõem de recursos para financiar parcerias com construtoras brasileiras. Esses projetos, particularmente no setor ferroviário, terão um sentido estratégico. É o caso da ferrovia Lucas do Rio Verde-Campinorte que, em seguida, se bifurcará em duas vias, para o escoamento da soja do Centro-Oeste nos portos do Pará e Espírito Santo. Caso o consórcio sino-brasileiro venha a vencer a licitação, as empresas chinesas terão uma participação em todas as etapas da exportação da soja: a originação do produto, a logística do escoamento, a comercialização e a distribuição na China.

A rapidez na expansão das relações suscita a cada passo novos desafios. Eles estão sendo resolvidos, em boa medida, por um mecanismo de alto nível, a Cosban (Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação), que se tem mostrado hábil para antecipar dificuldades e encaminhar soluções. O Conselho Empresarial tem buscado dar a sua contribuição mediante a aproximação e identificação de oportunidades de negócio.

O desafio para o Brasil, além da maior competitividade do produto chinês, está na forma de operar dos dois países. Cerca de 90% das empresas chinesas no Brasil são estatais e atuam sob a orientação e supervisão da agência oficial Sasac, o que confere ao governo chinês uma visão de conjunto e capacidade de coordenação maiores do que as que nós temos. Outras vezes, o desafio está em questões operacionais relacionadas à implementação de decisões já tomadas, como a concessão de vistos a funcionários de empresas chinesas ou a formalização do acesso de produtos e investimentos brasileiros no mercado chinês.

É preciso superar as dificuldades para que o intercâmbio prossiga de modo desimpedido e assegure resultados mutuamente proveitosos. Que a visita de Xi Jinping contribua para avançar neste sentido.

Fonte: Sergio Amaral para Folha de São Paulo - publicado em 07/07/2014


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