Há mais de uma dúzia de fundos de índices com cotas negociadas em bolsa (ETFs, em inglês) nos EUA que mantém exclusivamente ações brasileiras em suas carteiras. Existem desde fundos de índice de base ampla a ETFs especializados que valem-se de alavancagem para amplificar os movimentos do mercado.

O maior ETF relacionado com o Brasil é o fundo iShares MSCI Brazil Capped, com US$ 4 bilhões, que inclui grandes empresas, como o Itaú Unibanco, a Ambev e o banco Bradesco. O fundo teve alta de 11% no ano até 13 de junho, em comparação com um aumento de 6,4% no índice de ações Morningstar Latin America. O fundo cobra 0,61% em encargos anuais.

Um vice-campeão na Copa dos fundos brasileiros é o Market Vectors Brasil ETF Small-Cap, com exposição a pequenas empresas, como SulAmérica, Odontoprev e Mills Estruturas. O fundo cobra 0,60% em encargos anuais e acumula alta de 4% no ano até 13 de junho.

Ignorando o entusiasmo atual em torno da Copa do Mundo, os investidores internacionais vêm apresentando cartões amarelos, quando consideram a economia brasileira. Seu crescimento foi de apenas 2% ao ano desde que a atual presidente, Dilma Rousseff, assumiu o poder em 2011.

É uma taxa decepcionante, considerando-se que o país tinha sido um dos queridinhos dos mercados emergentes no grupo dos BRIC, que inclui Rússia, China e Índia. O Brasil cresceu cerca de 7% em 2010, quase acompanhando o ritmo da China, líder nesse quesito no mundo.

Mais recentemente, porém, o país do Carnaval e da bacia do rio Amazonas desacelerou. A expectativa é de que o crescimento brasileiro será de apenas 1,8% neste ano, segundo previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI). A economia do país cresceu apenas 2,3% em 2013, segundo ano consecutivo em que o país registrou essa taxa de crescimento. O FMI prevê que a expansão só poderá ser de meros 2,7% no próximo ano. E uma pesquisa realizada na primeira semana de junho entre economistas do país mostra que a inflação deverá se manter desconfortavelmente alta, em cerca de 7% ao ano.

Se são apenas mornas as expectativas econômicas em relação ao Brasil, por que deveria o país ser um ativo desejável no longo prazo? A resposta: commodities são essenciais para o mundo em desenvolvimento, e é aí que o Brasil pode continuar a marcar gols.

Há três anos, as abundantes exportações brasileiras ajudaram o país a ultrapassar o Reino Unido, assumindo o posto de sexta economia do mundo. O Brasil é um dos maiores produtores de café, soja, milho, suco de laranja e açúcar de alta qualidade. Os enormes investimentos na produção de soja, por exemplo, catapultaram o país a uma posição à frente dos EUA, como maior produtor no mundo.

Apesar da expectativa de que as mudanças climáticas vão afetar a produção agrícola brasileira, o país, de modo geral, irá se beneficiar do crescimento populacional mundial, particularmente nos países em desenvolvimento. Em 2050, a quantidade de pessoas no mundo deverá chegar a quase 10 bilhões, segundo a Pew Research Center. A população da África, de mais rápido crescimento no mundo, deverá abrigar um quarto das pessoas, em comparação com apenas 15% em 2010. A Índia deverá passar à frente da China, como país mais populoso. Populações cada vez maiores necessitarão mais alimentos, especialmente onde a terra cultivável é escassa.

Apesar do papel brasileiro na satisfação da crescente demanda por commodities no longo prazo, sempre resisto a colocar muitos ovos na cesta de um único país, especialmente emergentes. Suas moedas, economias e sorte oscilam ao sabor de diversos fatores. O Brasil ainda terá problemas de curto prazo devido ao câmbio, inflação e aos baixos preços das commodities.

Os investidores estrangeiros que quiserem assumir uma tática mais diversificada e menos arriscada no Brasil, podem assumir uma posição defensiva investindo em um ETF de mercados emergentes como o MSCI Emerging Markets Fund iShares. O fundo mantêm uma pequena exposição à América Latina - cerca de 17% de sua carteira total, em comparação com 63% de sua carteira na Ásia. O ETF registra uma valorização de 4% no ano até 13 de junho.

Uma cesta mais ampla não apenas diminuiria a exposição do investidor aos riscos de curto prazo no Brasil, como lhe proporcionaria uma presença em países onde o crescimento está avançando mais rápido do que a taxa de inflação.

Fonte: John Wasik, da Reuters, traduzido pelo Valor Econômico - publicado em 23/06/2014


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