Alguns economistas ressaltam que ainda é cedo para saber os desdobramentos das manifestações e, portanto, eventuais impactos na economia. "O risco dos protestos para uma piora do mercado financeiro permanece contido. No entanto, é mais um ponto a ser monitorado pelos investidores", avalia o economista-chefe para mercados emergentes da consultoria Capital Economics, Neil Shearing.

O economista destaca que as manifestações brasileiras não podem ser comparadas com o que vem acontecendo na Turquia ou mesmo com o que aconteceu na chamada "Primavera Árabe". Isto, aliás, é um fator positivo para o Brasil. No caso do mundo árabe, destaca o Shearing, foi um exemplo dos rumos imprevistos e incalculáveis que uma massa enfurecida pode tomar, afugentando não só investidores financeiros, mas turistas e empresas.

No estágio atual, Shearing não vê risco de instabilidade política dos protestos para o Brasil. Mas ele destaca que todo esse movimento é reflexo de problemas estruturais do País que vêm causando insatisfação nas pessoas e precisam mudar. Investimento baixo, inflação alta, corrupção nos governos e falta infraestrutura. Por causa do interesse que o assunto vem despertando, a Capital Economics, que tem escritórios no Canadá, Cingapura e Reino Unido, deve soltar amanhã um relatório a seus clientes sobre os protestos e suas avaliações.

Para o economista da gestora AllianceBernstein, Fernando Losada, as demonstrações sugerem que a sociedade poderia ficar menos tolerante a um ajuste fiscal que cortasse gastos públicos, sobretudo em um ambiente de baixo crescimento econômico como o atual. Esse ajuste é necessário para melhorar as contas públicas e a piora nos números foi um dos fatores apontados pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) para reduzir a perspectiva do rating soberano brasileiro para negativa.

Losada destaca ainda que o próprio ambiente brasileiro, com as eleições presidenciais e legislativas em 2014, é propício para surgirem novas manifestações daqui para frente. Ou seja, mais um ponto a ser acompanhado de perto pelos investidores. Pelo lado positivo, destaca o economista, os protestos têm sido pacíficos em sua maioria, o que ajuda a reduzir os temores de uma perda de controle.

Os protestos brasileiros vêm ganhando destaque na imprensa norte-americana nos últimos dias. Nesta terça-feira, o jornal The New York Times deu uma matéria de quase uma página sobre as manifestações de ontem, que levaram 250 mil às ruas de capitais brasileiras. Inicialmente contra um aumento das tarifas do transporte público, agora as manifestações ganharam dimensão maior, de acordo com a reportagem assinada pelo correspondente do jornal no Brasil, Simon Romero.

Fonte: Estadão - publicado em 18/06/2013


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