Apesar do serviço público ainda ser o principal gerador do PIB brasiliense (54%), dados da Fecomércio mostravam, em 2011, que o setor privado ganhou espaço ano a ano, e já era responsável por pouco mais de 46%.

Além disso, o número de empregados em cada setor também mudou. No início dos anos 1990, tanto o setor público quanto o privado empregavam, em média, 30% dos assalariados do Distrito Federal, cada. Em 1993, 34% dos trabalhadores estavam em empresas particulares, e 31,8% na administração pública. Já nos anos 2000, as estatísticas eram outras.

No ano de 2003, o número de servidores no setor público caiu para 25,9% e no setor privado registrava 41,7% dos empregos no DF. Agora em 2013, a relação é de 22,3% da população com empregos no serviço público e 52,4% de empregos na iniciativa privada, uma verdadeira inversão de valores.

Apesar do crescimento de concursos públicos e do grande número de contratações realizadas nos oito anos do governo Lula, as vagas não cresceram no mesmo ritmo da demanda do setor privado. "As vagas no Estado surgem em uma velocidade menor que no privado", explica Júlio Miragaya, presidente da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan).

Em março de 1993, o Distrito Federal contava com 201 mil servidores públicos. Vinte anos depois, são 283 mil, o que representa um aumento de 40%. Já no setor privado, a quantidade de empregos triplicou, saltando de 210 mil para 653 mil no mesmo período — incluídos os trabalhadores com e sem carteira assinada. Considerados apenas os empregados formalizados, o crescimento é ainda mais notável. Eram 164 mil há 20 anos. Hoje, são 554 mil, um aumento de 237,8%.

Fenômeno da formalização

Um dos motivos do crescimento de empregos no setor privado no Distrito Federal está relacionado também à onda formalizadora pela qual a capital do país passou. Para a coordenadora da PED, Adalgiza Amaral, a redução na quantidade de autônomos e o aumento dos trabalhadores na iniciativa privada indicam essa realidade. "Nos últimos 12 meses, tivemos uma queda de 18 mil autônomos e o aumento de empregadores donos de negócios familiares", analisa.

Segundo o presidente do Sebrae-DF, Antônio Valdir Oliveira Filho, uma das explicações para esse fenômeno é a formalização dos empreendedores individuais, incentivada a partir de 2011. O DF é, proporcionalmente, a unidade da Federação com o maior percentual de empreendedores individuais. São 55 mil, e a perspectiva do Sebrae é que esse número suba para 60 mil até o fim do ano.

Uma pesquisa do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro aponta Brasília como a líder das 10 capitais com maior número de empregos no setor. A capital tem cerca de 90 mil estabelecimentos comerciais, e nada menos que 27 shoppings centers. Em comparação com o Rio, por exemplo, são apenas 20 desses centros comerciais para atender uma população três vezes maior.

Os maiores polos

Os maiores fatores que contribuem para o crescimento da geração de empregos no setor privado no Distrito Federal são, principalmente, os segmentos de comércio e de serviços. Segundo dados da Codeplan, 24,9% dos trabalhadores do DF estão no comércio, que emprega cerca de 800 mil pessoas. Em serviços, são 35%, incluídas atividades como transporte, educação, saúde, bancos, informática e domésticos. O presidente da Fecomércio-DF, Adelmir Santana, acredita que a absorção da mão de obra no comércio é reflexo do poder de consumo da capital, que contribui para a expansão.

Além disso, o comércio de Brasília atrai fortemente consumidores das cidades do chamado “Entorno do DF”, formado tanto por regiões de Goiás quanto por cidades de Minas Gerais.

Segundo Santana, quem não está no setor público em Brasília tem o comércio como opção de trabalho. "No nosso Estado, o setor público ainda é muito grande. Mas por conta de Brasília ser a capital e o centro das decisões políticas, a tendência é de que o setor privado continue crescendo cada vez mais para atender a demanda gerada por esse segmento", afirma.

A indústria de transformação, excluindo a construção civil, emprega apenas 1,3% da mão de obra e é um setor que sofre fortes oscilações mensais. "Na análise dos últimos 20 anos, o setor expande e cria oportunidades quando tem algum tipo de incentivo do governo. Se não tem, as vagas somem", analisa Diones Cerqueira, economista da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra).

Por: Luísa Leite – com informações do Correio Braziliense e da BSB Brasil
Equipe de Redação Vallya


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