O governo chinês concede benefícios para setores considerados prioritários em um plano quinquenal, e publicados no catálogo "Guia de Investimentos", que classifica os setores da economia nas categorias: encorajado, permitido, regulamentado ou proibido para o investimento estrangeiro. Para as empresas encorajadas, o governo concede benefícios fiscais. Para os demais, as facilidades já não são as mesmas da década de 90, quando se consolidou a grande base manufatureira chinesa.

"Neste momento, o maior interesse deles é por empresas e produtos de alta tecnologia, menos dependentes de mão de obra em larga escala. Empresas de tecnologia da informação e comunicação, energias alternativas e novos materiais. Eles já não são tão flexíveis sobre vistos de trabalho e abertura de escritórios de representação para qualquer setor", afirma Larissa Waccholz, diretora da consultoria Vallya. "Mesmo assim, as oportunidades vão além dos setores prioritários."

A China passou por momentos distintos em termos do tipo de investimento buscado. Nos anos 80 surgiram as produções de baixo valor agregado, como têxteis, calçados e brinquedos. Na década de 90, verificou-se um aumento do parque industrial automotivo e eletroeletrônico. Nos anos 2000, novos investimentos no setor aeroespacial, tecnologia da informação e comunicação ingressaram no mercado chinês.

Segundo estudo publicado pelo Conselho Empresarial Brasil China (CEBC), "O novo Catálogo Guia de Investimentos", revisado em 2011, que apresenta os setores estratégicos recém-contemplados pelo 12º Plano Quinquenal, orienta a entrada de capital estrangeiro para formação de centros de pesquisa e desenvolvimento e para setores ligados à preservação do meio ambiente, como novas fontes de energia, energias renováveis, novos materiais e biotecnologia. Outros investimentos são sugeridos em máquinas e equipamentos de tecnologia avançada, bem como na próxima geração de TI."

Dados da consultoria Mckinsey apontam que em 2014 a China investiu aproximadamente US$ 200 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, o segundo maior por país, equivalente a cerca de 2% do seu PIB. As universidades chinesas formam mais de 1,2 milhão de engenheiros por ano e o país lidera os pedidos de patente, com 825 mil em 2013, comparados a 570 mil dos Estados Unidos. Foram criados mais de 13,2 milhões de novos empregos urbanos em 2014.

A Stefanini é uma das empresas brasileiras com operações na China. A empresa entrou no grande mercado em 2010, por meio da aquisição da empresa americana Techteam, que tinha uma planta na China. Hoje tem 200 funcionários em 11 cidades, sendo três centros de serviços para atender clientes globais, como a John Deere, Caterpillar, e outras.

Apesar de tímida em volume, a presença do investimento brasileiro é diversificada em 34 segmentos, com predominância para tradings, consultorias e empresas de mineração. Entretanto, como destaca o estudo do CEBC, "não é possível observar um alinhamento estratégico claro entre os setores de atuação das brasileiras e os novos setores estratégicos apontados pelo governo chinês. Isso se aplica particularmente a áreas em que o Brasil tem revelado fortes vantagens comparativas, a exemplo de energias renováveis."

Fonte: Valor Econômico - publicado em 30/10/2015

 


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