A convocação da audiência pública se deu com o propósito de discutir os impactos da situação econômica da China no comércio e nos fluxos de investimento Brasil-China. Outros palestrantes incluíram o Embaixador Sérgio Amaral, Presidente Emérito do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC); Embaixador José Alfredo Graça Lima, Subsecretário-Geral para Ásia, Oceania e BRICS no Ministério das Relações Exteriores; e Roger Agnelli, Presidente da AGN Participações e ex-CEO da mineradora Vale. Infelizmente, Roger Agnelli faleceu em um acidente aéreo aproximadamente uma semana após o evento, juntamente com a sua família.

As principais questões tratadas pela Vallya em sua exposição podem ser resumidas abaixo:

- O momento econômico pelo qual passa a China é de transição e reforma. Segundo Roberto Dumas Damas, um dos maiores especialistas em economia chinesa no Brasil, ao longo das últimas décadas, o governo chinês financiou o investimento em infraestrutura e a expansão da capacidade produtiva com a poupança das famílias chinesas, bem como através da baixa remuneração da mão de obra. O objetivo das reformas atuais é reequilibrar as bases do crescimento da economia e aumentar a renda e o poder de compra dos indivíduos, transferindo recursos da indústria para os consumidores. Resta saber com que eficácia a liderança chinesa será capaz de conduzir e levar a bom termo esse processo.

- O aumento do consumo na China pode ser muito positivo para o Brasil, na medida em que o câmbio atual torna nossas exportações mais competitivas e poderíamos aproveitar o momento para exportar ao país produtos de maior valor agregado, diversificando a pauta. O Brasil deve tentar tirar o melhor proveito possível do “Novo Normal” da China (denominação que está sendo usada para a nova situação econômica daquele país), buscando ultrapassar seus próprios problemas de falta de competitividade em mercados estrangeiros. Os consumidores chineses estão ávidos por consumo, mas têm diante de si um leque de opções com produtos e marcas do mundo inteiro.

- As multinacionais chinesas querem se tornar empresas globais e, neste sentido, a América Latina não pode ser ignorada. Além dos recursos naturais disponíveis, o continente latino-americano é aquele que, juntamente com Ásia e África, apresenta maiores oportunidades de crescimento de renda e consumo no mundo. Tendo em vista o interesse de ser global e as recentes aquisições de marcas estrangeiras de consumo, multinacionais chinesas veem o Brasil como um importante destino de investimentos que visem a América Latina, afinal, somos o maior mercado desta região. Não podemos perder de vista, no entanto, que outros mercados emergentes latino-americanos que ofereçam perspectivas de crescimento econômico e estabilidade mais imediatas que o Brasil são importantes concorrentes nossos na atração de investimentos chineses.

Os vídeos das palestras (em português, sem legendas), podem ser vistos através deste link: https://www.senado.gov.br/noticias/TV/Video.asp?v=428691


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